quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Berlim

A capital alemã foi uma das cidades que mais gostei de conhecer na Europa. Ela não é bonita como Barcelona, Paris, Praga ou Amsterdam, e até me irritou bastante na chegada, por ser uma cidade escura (que depois eu fui saber que era pra conservar essa aura de mistério da Berlim Oriental na época das duas Alemanhas). Mas a cidade é um banho de História. É sério, eu aprendi "in loco", num passeio que fizemos por umas 7h, à pé, com um guia espanhol, mais do que em todas as aulas de História do colégio. Há muuuuuuuuito o que ver e o que fazer em Berlim, e nao ousem reservar para ela menos do que quatro dias, pois seria uma blasfêmia. Os museus, as igrejas, os monumentos, o parlamento, os parques, é tanta coisa incrível que se eu fosse falar detalhadamente de tudo não iria acabar nunca mais na vida. Alguém tem noção que no Museu Pergamon tem uma porta que esteve na Babilônia??? Sem falar no Museu DDR, que conta toda a vida da Alemanha Oriental. E o Museu Topografia do Terror, que fala sobre o Nazismo??? Nooossa Senhora, é um deleite só estar nessa cidade.

Madrid, a segunda visita

E eis que eu voltei à Madrid. Fui apresentar um artigo em um congresso internacional sobre juventude. O congresso foi ótimo, com expositores muito competentes, debates super ricos, vários dados interessantes para a tese, enfim, foi uma baita experiência poder participar de um evento como esse. E estar mais uma vez na capital espanhola, desta vez na companhia do meu amigo Luciano, foi muito legal, pois pude conhecer coisas que eu não tinha visto na primeira visita. Madrid é uma grande cidade, em vários sentidos. Mas não é bonita como Barcelona, nem divertida como Barcelona, nem charmosa como Barcelona, nem há tanto o que fazer e ver como em Barcelona. Enfim, se você só puder visitar uma cidade na Espanha escolha Barcelona. Vocês podem pensar que eu já tô quase um catalão (o que não é mesmo verdade) e já comprei a disputa entre as duas cidades, mas não é. É que a capital, apesar de sua grandiosidade, fica mesmo obscurecida pela beleza e pela atmosfera mágica da cidade que é banhada pelo lindo Mar Mediterrâneo e tem obras como a Sagrada Família e a Pedrera.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Vaticano

Eu não preciso falar muito sobre o Vaticano, basta só dizer que eu e Luciana vimos o Papa!!! Mesmo sem planejar, porque era um dia de quarta-feira, e nós sabemos que ele aparece na janela aos domingos. Mas quando chegamos lá ele estava celebrando uma missa, para uma "pequena" multidão de pessoas! Depois do encantamento pelo fato de assistir uma missa celebrada pelo papa vem o questionamento "mas e aí, e se estiver tudo fechado o dia todo por conta da missa?!". Mas, graças ao bom Deus, e, porque não dizer, à intercessão do Papa, logo depois da missa tudo voltou a funcionar normalmente e nós pudemos entrar na Basílica, que é uma coisa exorbitante de tão grande... É... alí fica bem nítido o poder que a Igreja tem. O Museu do Vaticano também é um lugar incrível, principalmente (mas não só por isso) pela oportunidade de entrar na Capela Sistina. O teto dela realmente é um obra ímpar... E sim, não dê ouvidos aos recados e tire umas fotos do teto, vale a pena. Mas seja discreto! Enfim, ter esse "encontro" com o Papa fechou com chave de ouro nossa viagem inesquecível.

Roma

Roma é uma cidade fascinante! É tanta História junto que dá até uma náusea de tanta informação e de tanto conhecimento. Para quem vai de Paris direto para lá, como eu e Luciana fizemos, é inevitável fazer comparações em termos de beleza. Fica uma sensação de que Roma não é tão linda como a cidade-luz. E não é mesmo... Mas Roma tem seus encantos e sua magnitude. É uma volta no tempo andar por aqueles lugares, é bem surreal. Coliseu, Fórum Romano, Palatino, Circo Mássimo... é tanto lugar que habita há tempos o nosso repertório cultural... A Fontana di Trevi é uma coisa fantástica de tão linda e a Praça Navona é um dos locais mais bonitos da cidade, daqueles que não dá mais vontade de ir embora. Também foi muito legal ir no Trastevere, um bairro boêmio, jantar num típico restaurante italiano, com aquelas comidas maravilhosas... Roma vale cada minuto em que se está nela!

Mais uma vez retomando

Bem, essa é mais uma tentativa de retomar o blog... Sei lá, agora que já tenho passagem de volta ao Brasil marcada parece que dá uma vontade de apontar as coisas por escrito, para garantir que elas nunca vão ser esquecidas. Como se precisasse, né... Afinal, quem passa por uma experiência dessas não esquece nunca, jamais, em tempo algum. É algo que a gente leva pro resto da vida, na cabeça e no coração. Mas é sempre bom ter um registro escrito dessas vivências, para poder reler daqui a algum tempo e para depois poder mostrar aos filhos, netos, bisnetos...

Seguem os relatos bem breves...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Versailles

Versailles é uma cidadezinha nos arredores de Paris e, claro, é onde localiza-se o famoso palácio. Começo o post assim porque algumas vezes temos a impressão de que o palácio fica "no meio do nada". Pode até ser que um dia aquela região toda fosse desabitada, mas hoje há uma cidade em torno do ponto turístico mais famoso da área. Para chegar até lá tem que pegar um trem em Paris e viajar por cerca de 1 hora. Ou seja, quando se vai preparar um roteiro de viagem à Paris, é bom dedicar um dia inteiro ao palácio, porque é impossível realizar outras atividades nesse mesmo dia.

Quando eu estava lá nos jardins do palácio, vendo de um lado o belíssimo prédio e do outro os espelhos d'água que acompanham o verde do gramado, eu disse para a Luciana: "acho que esse é um dos lugares mais lindos que eu já vi na minha vida". É tudo tão impactante, grandioso e luxuoso que a gente até se sente dentro de um filme... Meio clichê essa frase, mas era assim mesmo que nos sentíamos, porque aquilo tudo não parecia realidade.

Levamos um vinho e um queijo brie e sentamos num baquinho para comer, beber e brindar à nós dois e à realização de tantos sonhos e conquistas. Foi um momento único e muito especial. Andamos por todos os jardins, conhecemos o palácio da Maria Antonieta, os anexos da construção principal... Aquilo alí é um mundo, e as caminhadas entre uma coisa e outra são longas. Mas vendo aquelas paisagens quem se importava de ter que andar?!

O Palácio de Versailles foi a última coisa do dia. Luxo, suntuosidade, riqueza, poder, grandiosidade e todos os outros adjetivos que inspirem superlativos. Tudo alí era super. A cada novo aposento mais um impacto... seja pela visão de um tapete, ou um quadro, uma mobília, ou quem sabe um lustre... Sempre tinha algo a nos tocar, a nos fazer perder a respiração por alguns segundos, tontos com todas aquelas visões.

Voltamos mortos para casa, cansados fisica e mentalmente. Foi muita visão e informação para um dia só. Nossa passagem pela França terminava com chave de ouro.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Paris

Bem, eu já ouvi alguns comentários dizendo que Paris é meio decepcionante (porque você espera muito dela), que não é tão bonita assim, que os franceses são grossos, que isso e que aquilo outro. Eu não sei se pelo fato de eu estar com a Luciana, de os dias em que estivemos na capital francesa terem sido muito bonitos (apesar de frios), de estarmos muito bem acomodados e localizados na casa do Leonardo (amigo da Lu, que saiu de casa e foi para a casa da namorada para deixar-nos completamente à vontade), o que eu posso afirmar com convicção é que estar em Paris foi a realização de um grande sonho. E eu e Luciana saímos apaixonados pela cidade!

Paris deve ter lá suas partes feias, mas, sinceramente, nós não passamos por elas, porque tudo o que vimos era lindo e magnífico. No dia em que fomos à Torre Eiffel fazia um sol tão lindo que pudemos aproveitar com intensidade nossa subida ao topo. Que vista era aquela?!

Fizemos tudo o que tínhamos direito e conhecemos muita coisa... Praticamente conseguimos fazer todo o roteiro proposto, o que foi uma vitória, pois cidades como Paris são impossíveis de serem realmente conhecidas por completo em uma só visita. A Notre Dame é uma coisa linda, os jardins de Luxemburgo são esplendorosos, o passeio de barco pelo Sena foi indescritível, a caminhada pela Champs-Élysées foi cinematográfica, enfim, tudo foi muito bem vivido e aproveitado. Foram dias bem cansativos (acordávamos por volta de sete da manhã e íamos dormir por volta de 1 da madrugada), mas o nosso propósito era conhecer o máximo de coisas que fosse possível. E nosso objetivo foi atingido!

Mas talvez a visita ao Louvre mereça um destaque nesse breve relato... Primeiro porque andamos feito uns loucos ali... Olha, eu sabia que o Louvre era enorme, mas não fazia idéia do tamanho de fato. Aliás, ninguém que não o conheça pessoalmente vai ter noção do quão grande é aquele museu. Ver a Monalisa, a Vênus de Milo, o Código de Hamurabi, dentre outras obras que povoam nossos imaginários desde que nos conhecemos por gente, é algo que não dá para explicar em um simples texto de blog. A pobrezinha da Lu saiu carregada por mim do museu, tamanha era a dor nos seus pezinhos lindos... Mas fomos embora de lá realizados, extasiados com tamanha oportunidade de vivenciar tudo aquilo.

Coroamos nossa estadia na cidade-luz colocando un cadeado com os nossos nomes na Pont Des Arts, e depois jogando as chaves no fundo do Sena. Quem faz esse ritual não se separa nunca mais. Tenho certeza de que voltaremos muitas vezes à Paris para visitar nosso cadeado e aproveitar todas coisas que a cidade sempre terá a nos oferecer.

O que não gostamos de Paris: o metrô... depois de andar no de Barcelona é bem chocante andar nos metrôs da capital francesa... velhos, feios, sujos, fedorentos e inseguros. Não nos sentíamos à vontade no metrô... tinha sempre alguém estranho mexendo com as pessoas. Muita gente louca nas estações, mal-encaradas. No metrô de Barcelona nós chegávamos a dormir algumas vezes, de tão seguro que nos sentíamos. Lá em Paris a gente nem piscava o olho!

Alimentação também não é barato em Paris... só para exempleficar. Fomos num bar/lanchonete e pedimos 1 sanduíche, 1 omelete, 1 crepe doce e dois refrigerantes. Por isso pagamos quase 40 euros! E o lugar não era chique. Não tinha vista bonita e nem nada de especial.

Mas nada disso apaga o brilho da cidade, o encantamento que toma conta da gente ao andar por suas ruas, ao ver seus prédios e monumentos, ao inebriar-se com a beleza de seus jardins e ao surpreendermo-nos com a aura de sua atmosfera. Paris, je t'ame.

Ibiza

Ibiza veio meio que por acaso aparecer no nosso roteiro... Luciana sempre mostrou um interesse em conhecer a famosa ilha, mas eu confesso que não era algo que me chamava atenção. Fora que quando eu ia atrás de olhar passagem, só por curiosidade, os preços eram sempre absurdos. Até que um dia a querida Ryanair nos brindou com uma promoção de 50%. A tentação era grande e nós compramos as passagens, sem nem pensar que a passagem é só uma parte da viagem, e que tem outra, que, muitas vezes, sai bem mais cara do que o bilhete de avião. Depois de comprar os tickets e achar um hotel que nos parecia BBB - Bom, Bonito e Barato, deixamos para nos preocupar com os gastos na ilha só quando chegássemos lá. Na verdade a gente tava se achando bem "metido" de estar indo a um lugar de gente rica... Porque a gente pode até ter pinta de high society, mas não passa de pinta... Huhauahuahuahuhauah.

Daria para fazer um post enoooooorme sobre Ibiza, tamanha é a quantidade de coisas que eu tenho para falar de lá. Mas como estou tirando o atrasado, se eu for detalhar demais cada uma das viagens nunca vou conseguir atualizar o blog por inteiro. Então vamos resumir!

Ibiza é muito, muito, muito, muito massa! Eu achava que a ilha bombava pelas famosas festas e pela agitada vida noturna, mas não fazia idéia da beleza das praias. Minha Nossa Senhora, que praias lindas são aquelas?! Sério, quem viu as fotos no Orkut pôde perceber a beleza daquele lugar, a transparência daquela água. Você simplesmente não tem vontade de ir embora mais nunca de lá... É muita beleza junta num só lugar. Mas para chegar a esses paraísos tem que pegar os barcos e sair dos Centros das cidades, porque as praias de frente para as cidades são normais, sem nada de especial, além do fato de você saber que está em IBIZA. Mas basta pegar um dos milhares de serviços de transportes marítimos para se ir a qualquer ponto da ilha. E vale bem mais a pena do que ir de táxi ou de busão, porque, além do visual lindo, é bem mais rápido, já que a ilha é enoooorme. As praias são PARADISÍACAS!!!

A vida noturna faz jus à fama... Impressionante em plenas noites de semana a cidade exibir-se como se fosse um sábado! Em uma noite ficamos passeando por alguns barzinhos até fixarmo-nos em um bar/boate super divertido. E na segunda noite, que escolhemos para "estourar a boca do balão", fomos à Privilege, uma mega boate, com uma puta estrutura. Ninguém faz noção daquilo alí... Só estando lá para saber! E o melhor, de graça! Sim, como o nosso hotel tinha uma média de idade dos hóspedes em torno dos 25 anos, acho que as baladas o escolhem para chamar o povo jovem, bonito e cheio de disposição, pois quando acordamos tinham enfiado por baixo da porta as pulseiras para entrarmos na boate até a 1 da manhã. Pois lá fomos nós, de graça para uma festa ducaralho! Mas claro, chegando lá confirmamos o que já esperávamos: a coisa mais barata no cardápio era uma água, ao simbólico valor de 8 euros! Hehehehe.

Mas tirando isso das bebidas na boate (algo pelo que já aguardávamos e não foi nenhuma surpresa), a cidade adapta-se ao bolso de cada um. Dá para ir à ilha e fazer uma viagem milionária. E dá para ir à ilha fazendo tudo, passeando demais, comendo bem e podendo voltar pra casa sem precisar vender nenhuma córnea para pagar os gastos. Ou seja, tem de tudo na cidade!

Recomendo demais uma viagem à Ibiza, de preferência no esquema que fizemos, indo na última semana da temporada (meio de setembro), porque a cidade ainda está bombando, mas os preços já devem ter caído um pouco e as coisas estão mais tranquilas... Estar alí em julho e, principalmente, em agosto deve ser um inferno. Não deve dar para mover-se na rua de tanta gente que deve estar por lá. Enfim, foi uma das surpresas mais legais dos últimos tempos, pois não passava pela minha cabeça que eu ia adorar tanto essa viagem. Fora que poder compartilhar de tudo isso com a Lu foi fora de série, né... Ibiza + amor = recomendo!

Barcelona com a Lu

Poderia uma cidade tão linda e encantadora quanto Barcelona ficar ainda melhor?! Sim... a cidade ganhou um colorido a mais para mim durante os dias em que a Luciana esteve aqui. A temporada com ela foi realmente maravilhosa e inesquecível. Quando a gente espera muito por uma coisa e faz muitos planos relacionados a algo é comum se decepcionar, mas nesse caso o sonho materializou-se ainda melhor do que quando foi sonhado...

Foi indescritível poder dividir com ela a beleza dos lugares, mostrá-la as coisas legais da cidade, levá-la aos espaços que me agradam, apresentar meus amigos, enfim, poder dividir com ela as coisas que eu faço sozinho ou na companhia de outras pessoas, mas que não tem tanta graça quanto quando estou em sua companhia.

Passeamos muito, matamos as saudades, rimos, nos divertimos, falamos besteira e percebemos claramente que distância nenhuma, por mais difícil que seja, apaga ou diminui o que temos em nosso coração, o que sentimos um pelo outro. Quando estávamos juntos é como se nunca tivéssemos nos separado...

Vai um agradecimento especial aos queridos amigos Germana e Túlio, que tiveram tanto carinho e atenção com a Lu. Foi muito bom fazer passeios de casal com vocês e deixar um pouquinho de ser vela, né?! Hahahaha. A Gê, além de tudo, ainda acompanhou a Lu algumas vezes nas compras enquanto eu estava em reuniões.

Enfim, foram dias que ficarão eternamente gravados nas nossas memórias e nos nossos corações!

De volta...

Olá, pessoal!!!

Estou de volta ao blog... Depois de mais de dois meses sem passar por aqui resolvi que já tava na hora de "tirar o atrasado" e contar as novidades dos últimos tempos aos meus queridos leitores. Foi acumulando tanta coisa que eu até pensei em desistir dele, vocês acreditam?! Mas depois eu pensei nos registros e na memória desse ano tão especial na minha vida e, claro, lembrei das pessoas que lêem o que escrevo aqui e que torcem por mim. Então, o bom filho a casa retorna!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Cordialidade catalana

Os brasileiros aqui costumam reclamar bastante do "abuso" catalão, especialmente dos atendentes, sejam de lojas, farmácias, correios, etc. Eu confesso que nunca havia tido nenhum tipo de problema com relação a isso. Tudo bem que sempre achei que eles não fossem as pessoas mais doces e receptivas do mundo (a maioria, mas não dá para generalizar), mas nunca haviam sido desagradáveis especificamente comigo. Quando eu chegava nas lojas ou restaurantes, por exemplo, era atendido corretamente, mas sem qualquer amabilidade. Pois eis que um dia desses estava eu na La Central, que é uma das livrarias mais famosas daqui, e pedi ao vendedor para ele olhar 3 livros pra mim e anotar o preço ao lado. Entreguei um papel com os 3 livros anotados, com nome de autor, editora, ano de publicação, tudo. Pois vocês acreditam que ele começou a olhar e, de repente (deve ter baixado a preguiça nele), se virou para mim e disse "olha, tem na internet essas informações" e me entregou o papel. Eu respirei fundo e disse "tudo bem, eu vou em outra livraria onde tenha uma pessoa melhor capacitada para atender os clientes". Virei-me e saí, puto da vida. Como eu não tava afim de barraco naquele dia não fiz nada, mas bem que depois eu fiquei pensando "devia ter chamado o gerente". Catalão fí de uma égua. Mas também não vou deixar que uma grosseria de um único catalão suje a imagem deles para mim. Além disso, o fato do catalão ser ou nao amável não faz diferença, pois em uma cidade multicultural e cheia de gente do mundo todo como Barcelona o "nativo" acaba até sendo minoria.

Dia do Brasil

Domingo foi comemorado o "Dia do Brasil em Barcelona", promovido por algumas instituições latino-americanas e, principalmente, pelo esforço e voluntariado de algumas pessoas. Foi um dia muito bonito e foi bem gostoso ver todos aqueles brasileiros na praia, reunidos, confraternizando ou apenas compartilhando daquela sensação. Tivemos música brasileira e catalana, como parte do objetivo da festa de integrar brasileiros e catalãos. E, podem acreditar, tinha muita gente daqui de Barcelona curtindo a nossa festa. Cantamos o hino completo (glória ao pai que não era a Vanusa a encarregada de puxar o coro!), e foi bem emocionante ver e viver aquela cena. Claro que nem tudo foi perfeito, porque talvez a organização do evento não esperava tanta gente e acabou não se preparando bem. Filas gigantescas e cerveja quente logo no início da festa (ainda bem que depois liberaram a entrada dos vendedores ambulantes) marcaram negativamente o dia. A feijoada, que eu saí de casa desejando comer, estragou, segundo os comentários do povo. Comi duas coxinhas de galinha com guaraná Antarctica, o que matou moderadamente o meu desejo de comida brasileira, apesar da coxinha não estar boa. Quando anoiteceu começou um samba/pagode bem animadinho e rolou até ligação pra noiva na hora em que escutei "morena tropicana", que é a cara dela!

Enfim, a estrutura da festa deixou bastante a desejar, mas Germana, Túlio e Pedro só faltaram me matar de rir, então o saldo do dia foi mais do que positivo!

Não é possível...

Olha, hoje eu só não jurei pra mim que eu nunca mais poria os meus pés no Lidl (o supermercado) porque ele fica muito perto daqui de casa, e eu sei que invariavelmente eu vou acabar lá mesmo pra fazer as compras da semana. Mas vontade de fazer essa promessa não me faltou. Simplesmente hoje não tinha NADA lá! Sabe nada?! Sabe um monte de prateleira vazia?! Pois é, assim era o Lidl hoje, em plena sexta-feira, dia que 90% da população passa no supermercado para comprar coisas para o final de semana. E eu fui cedo, antes do povo sair do trabalho, então eu sei que não estavam faltando os produtos porque todo mundo já havia passado lá antes de mim, mas porque eles não se prepararam para as demandas dos clientes. Aposto como já abriram as portas hoje com as coisas faltando, tamanha é a incompetência do supermercado. Hoje não tinha a carne que eu costumo comprar, não tinha as saladas, não tinha os canelones, não tinha umas comidinhas alemãs que eu gosto, não tinha porra nenhuma naquela bosta. Logo no final de semana em que a Luciana vai chegar... Vou ter que ir no Carrefour amanhã fazer as compras, porque hoje eu não consegui comprar nada. Sorte do Lidl que ele é muito, muito, muito barato, porque se não fosse assim eu duvido que algum cidadão nessa cidade colocasse os pés ali.

A metade do caminho

Hoje faz seis meses que estou em Barcelona. Nunca estive tanto tempo fora do Brasil, nunca estive tanto tempo sem ver meus pais, minha noiva, minha irmã, meus sobrinhos e meus amigos. Mas, mesmo com todas essas ausências, esses seis meses foram muito, muito especiais na minha vida. Eu costumo dizer que essa experiência aqui é como um intensivo de vida. Você aprende em alguns meses o que nunca havia aprendido antes. É um intensivo de aprendizagem, de conhecimento, de cultura, de tolerância, de tantas coisas... Desde que cheguei aqui tantas coisas aconteceram já... a língua que pegou o ritmo, as amizades construídas, os lugares visitados, os artigos apresentados, os livros lidos, enfim, um mundo de coisas descobertas. Mas eu acho que ainda tenho tanto a aprender, tanto a conhecer... Que venham novas amizades, novos livros, novos congressos, novas cidades, enfim, que venham muitas outras coisas. O melhor desse meu balanço de seis meses é saber que tudo aqui superou as minhas expectativas e que eu tenho feito tudo o que me propus fazer antes de chegar aqui. E que os próximos seis meses sejam tão produtivos acadêmica e experiencialmente como esses que completo hoje. Estar em Barcelona tem sido, cotidianamente, a realização de um grande sonho.

Senhor Benito

Logo que cheguei aqui a Othita fez um almoço para uns amigos dela, que eu até comentei em uma das primeiras postagens desse blog. Os convidados eram o Sr. Benito, sua esposa (de quem eu não recordo o nome) e o filho do casal, o Javier. Sobre o almoço delicioso eu já comentei no post de março. O que eu não falei foi que a senhora tem alzheimer e eu fiquei muito comovido e emocionado com a maneira com a qual marido e filho cuidavam da esposa/mãe. Eles eram de uma dedicação tão grande... davam comida na boca dela, limpavam cuidadosamente os lábios da senhora, com todo o capricho, insistiam carinhosamente para que ela comesse mais, enfim, estavam o tempo todo preocupados com o bem-estar dela. O senhor Benito foi muito receptivo comigo, naquele que foi um dos meus primeiros almoços "em família" aqui na Espanha. Perguntava-me sobre o Brasil, falava (bem) do Lula, interessava-se pelo que eu tinha vindo fazer aqui em Barcelona... Nesse tempo todo em que estou aqui atendi algumas vezes telefonemas dele para a Othita. Há alguns meses Othita me disse que o Sr. Benito estava com câncer e antes de ontem ela me falou que ele havia acabado de falecer. Conheço tão pouco o Sr. Benito... mas, de algum modo, ele faz parte da minha vida aqui na Espanha, ele marcou, positivamente, a minha chegada aqui. E, mesmo que ele não faça parte do meu círculo de amizades aqui, eu senti muito a morte dele. Puxa, foi tão rápido... Há menos de seis meses o Sr. Benito estava forte e saudável. Poderia até já estar doente e não saber, mas a impressão que tínhamos dele era a de um homem com saúde. E agora ele não está mais entre nós. Nunca mais vou atender o telefone e ver no bina escrito "Sr. Benito"... Que triste.

domingo, 5 de setembro de 2010

Sonho que se sonha junto...

Desde quando começamos o nosso relacionamento (há exatos 2 anos e sete meses, comemorados hoje!) eu e Luciana temos nos especializado em realizar sonhos. Somos dois sonhadores, e lutamos juntos para concretizar cada um deles. Para nós, que temos um relacionamento que é mantido, muitas vezes, à distância, muita coisa – que para outros casais é rotina – acaba se tornando um sonho. O simples estar junto, por exemplo, é comemorado e vivido com uma intensidade e uma felicidade ímpares. Foi realizando sonhos que em dois anos a Luciana esteve cinco vezes no Rio Grande do Sul, foi realizando sonhos que nos vimos em que todos os meses do ano passado (menos em agosto), foi realizando sonhos que sempre estivemos juntos nos momentos mais importantes (aniversários, natal, reveillon...). Cada momento é esperado e vivido por nós como a realização de um sonho, e é sonhando que queremos continuar as nossas vidas.

E vai ser exatamente daqui a uma semana, domingo, dia 12 de setembro, às 11:55 da manhã, quando o vôo da TAP tocar o solo catalão, que estaremos realizando o maior dos nossos sonhos até agora. Sonho que nasceu antes mesmo de eu me mudar para Barcelona, que se revigorou quando eu já estava aqui e que se corporificou no dia 11 de maio, quando a passagem foi comprada (como esquecer do telefonema que recebi naquela tarde: “amor, comprei a passagem!”...).

Mesmo que fosse para ficarmos todos os dias em Barcelona já seria a realização de um sonho, mas quisemos sonhar ainda mais... Então vieram os planos, os roteiros, as dicas dos amigos, as buscas em sites de viagens... Mais sonhos envolvendo esse momento tão aguardado. Paris, ahhh Paris... Estar na cidade-luz, por si só, já é um presente de Deus, mas estar nela com a mulher da sua vida é algo que não dá para explicar! E Roma... beber água na Fontana di Trevi e eternizar o nosso amor... Benzer as nossas alianças no Vaticano, e ter as graças Dele derramadas sobre nós dois! E quando já estávamos nas nuvens eis que ainda surge mais uma oportunidade de desfrutar e aproveitar intensamente a vida... Ahhh Ibiza... pode nos aguardar em suas águas belas e transparentes!

Eu materializo detalhadamente em minha mente todos os momentos que vão se suceder depois que a Luciana sair pela porta do desembarque, tintin por tintin. A emoção indescritível de ver seu rostinho lindo, o abraço, o beijo. Tocar sua pele, dar um cheiro naquele pescocinho lindo e sentir o cheirinho mais cheiroso de todo o mundo. Implicar com ela por alguma coisa e ver e ouvir sua risada. E iniciar, finalmente, a concretização de tudo o que planejamos desde maio.

Muito obrigado a todos que torceram e vibraram conosco em todos esses meses de preparativos! E muito obrigado a você, meu amor, por fazer de tudo para estar comigo, sempre, seja lá onde eu estiver! Falta pouco, muito pouco para o nosso sonho começar a se realizar...

Amo você!

Dan.

sábado, 4 de setembro de 2010

O corpo lá e aqui

Aqui eu praticamente não espirro e meu nariz não fica escorrendo. Aqui eu não tenho crise respiratória alérgica. Aqui meu intestino funciona relativamente bem (e eu nem preciso de Activia... kkkkkkkkkk). Aqui a minha dermatite fica sempre controlada e meu rosto não fica com pataca vermelha. Em compensação foi aqui que tive a pior crise de garganta da minha vida, por conta das mudanças de temperatura. E foi aqui que uma maldita alga queimou meu braço e agora, decorrido 1 mês do episódio, é que a mancha está saindo... Mas meu corpo funciona melhor aqui, isso é um fato.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O que argumentar?

Estava eu em uma lojinha de souvenir em Amsterdam, falando português com o Luciano, quando a vendedora me perguntou, em inglês, se eu era brasileiro. Daí eu respondi afirmativamente, no que ela emendou "ah, já estive no Rio!". Eu perguntei se ela tinha gostado e ela disse que sim, que era um lugar maravilhoso, e completou, dizendo "pena que é tão perigoso". Na hora eu fiquei pê da vida, afinal eu posso falar mal do meu país, mas não gosto que nenhuma outra pessoa que não seja de lá fale. Tentei argumentar, relativizando "ah, também não é assim, há um pouco de exagero", mas a moça disse "é assim, sim. é um lugar lindo, mas nos sentimos inseguros lá". Daí eu pensei... "é, não dá para discutir se ela tem razão". E saí da loja com o rabo entre as pernas. Logo eu, que não levo desaforo pra casa. Mas não sou estúpido de me posicionar contra uma coisa que é tão clara. Ah, Rio, você me paga por isso...

Por amor aos aviões...

Estava eu andando por Schiphol, o majestoso e belo aeroporto de Amsterdam, quando li nas placas indicativas: "terraço panorâmico". Meus olhos brilharam feito os de uma criança de frente para o melhor presente do mundo. Em questão de segundos estava eu lá, completamente fascinado com a vista mais do que inacreditável! Parecia até um sonho estar de frente para aqueles 747, 777, 767, A330, A340... um ao lado do outro. Aquela vista inebriante dos jumbos da KLM pousando e decolando... Poderia passar horas, dias desfrutando daquele cenário, não fosse um detalhe: chovia torrencialmente em Schiphol... Mas daquelas chuvas que só faltam levar você. Claro que eu estava com guarda-chuva, mas naquela situação ele não fazia diferença. Quando dei por mim estava com as calças ensopadas do joelho pra baixo, tênis molhado, casaco molhado, mochila molhada (com o cartão de embarque molhado!), enfim, parecia que eu tinha caído dentro da piscina. Desci para o aeroporto, todo molhado, mas feliz. Por amor aos aviões eu faria tudo de novo!

Eurocêntrico...

Vou confessar uma coisa a vocês... tô tão eurocêntrico nos últimos tempos... achando que só a Europa bomba e que só vale a pena viajar pra cá! Mas deve ser uma fase, passa já... Huahuahauahuhaua.