Vocês vão acahar que é implicância minha com o supermercado, mas não é... Ele é muito barato, de verdade, mas acho que um mercadinho de Tabuleiro do Norte (CE) deve ter mais noção de endomarketing do que o Lidl (supermercado onde faço compras aqui).
1) No final de semana as saladas prontas que eu compro (as folhas de alface, acelga, repolho, etc. já cortadas e limpas) sempre estão em falta... e quando tem são só os restos. Também vejo várias outras prateleiras vazias...
2) Eles mudam os produtos de lugar dentro do supermercado!!! O arroz um dia tá numa ponta e na semana seguinte tá no extremo oposto. Os biscoitos, coitados, esses já passearam por todas as prateleiras do Lidl... toda semana é uma verdadeira "caça ao tesouro" para ver onde eles estão escondidos...
3) Quando, cansado de procurar, a gente vai perguntar onde está tal coisa, os simpáticos atendentes, que com certeza devem ter tido anos de treinamento para lidar com o público, só fazem apontar, a quilômetros de distância, "é bem alí...".
Ai, ai... é nessas horas que eu tenho saudade do Extra, do Bourbon, do Nacional, do São Luiz... Só não tenho do Pão de Açúcar, porque não gosto de me sentir assaltado, e do Big, porque aquilo é uma bagaceira!
terça-feira, 13 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Brasileiro? Latino? Os dois? Nenhum dos dois?
Eu já tinha lido algo a respeito num livro organizado por Denise, Amparo (minhas duas orientadoras, a de lá e a de cá) e María, sobre Comunicações e Migrações, mas foi aqui que vi a coisa na prática. Na Espanha o brasileiro é identificado como brasileiro, mas o colombiano, o peruano, o boliviano, o equatoriano, etc. são chamados de latinos. Isso mesmo, para eles nós não somos latinos, ou, pelo menos, não somos categorizados dessa forma no cotidiano. Não sei se pelas dimensões continentais do nosso país, ou por uma certa importância geopolítica e econômica no cenário mundial, ou, talvez o motivo mais óbvio, que somos os único na América Latina a falar o português, o que sei é que aqui se é do Brasil é festa brasileira, comida brasileira, música brasileira, e se é de qualquer outro pais da A. L. é festa, comida, música, etc. latina.
Estava conversando hoje com um colega colombiano e ele me disse que os coletivos brasileiros aqui são super organizados. De fato, até associação nós temos, com mais de 800 membros filiados. Esse colega me disse que desconhece iniciativas deste tipo de coletivos de outros países da América Latina.
Não sei se socialmente isso é bom ou é ruim, o que eu sei é que prefiro ser identificado como brasileiro do que como latino. Não por achar que ser latino seja algo ruim (até porque eu sou, os espanhóis querendo ou não!), mas porque prefiro ser nomeado como oriundo de um país do que como parte de tooodo um bloco de países. E por acaso colombiano, peruano ou chileno são tudo a mesma coisa? Claro que não! Nem dentro de um mesmo país somos iguais, imagine dentro de um mesmo continente! Enfim, é interessante pensar sobre essa "diferenciação" que tem o brasileiro por aqui...
Estava conversando hoje com um colega colombiano e ele me disse que os coletivos brasileiros aqui são super organizados. De fato, até associação nós temos, com mais de 800 membros filiados. Esse colega me disse que desconhece iniciativas deste tipo de coletivos de outros países da América Latina.
Não sei se socialmente isso é bom ou é ruim, o que eu sei é que prefiro ser identificado como brasileiro do que como latino. Não por achar que ser latino seja algo ruim (até porque eu sou, os espanhóis querendo ou não!), mas porque prefiro ser nomeado como oriundo de um país do que como parte de tooodo um bloco de países. E por acaso colombiano, peruano ou chileno são tudo a mesma coisa? Claro que não! Nem dentro de um mesmo país somos iguais, imagine dentro de um mesmo continente! Enfim, é interessante pensar sobre essa "diferenciação" que tem o brasileiro por aqui...
O sobrenome na Espanha
Comprei uma passagem pela internet. Daí, quando chega no meu mail o bilhete eletrônico eu vejo escrito BARSI/Daniel. De cara eu pensei "epa, isso tá errado!", afinal é o último sobrenome o que vem escrito nas passagens aéreas. Fiquei pensando se tinha ficado brôco de vez e estava confundindo os sobrenomes agora... Depois me lembrei que aqui na Espanha (e em outro países latinos) o sobrenome do meio é que é o do pai, e não o da mãe, como no Brasil. É ele quem passa de pai para filho... estranho, né?! Então, aqui na Espanha, o BARSI é o sobrenome que vem nas identificações, porque para eles esse é o sobrenome do meu pai! Bem, com esta informação muito bem guardada na cabeça já não corro mais o risco de me assustar na compra das próximas passagens... :-P
Compartir el piso
Antes de chegar aqui confesso que estava bem apreensivo com esse lance de dividir um apartamento. Na verdade eu achava que isso seria a grande "provação" da minha estadia na Espanha: dividir meu local de moradia com outras pessoas. Para quem nunca teve que dividir o quarto com o irmão e quando saiu de casa para viver em outro Estado morou por 4 anos em um apartamento sozinho essa nova situação domiciliar que me aguardava me deixava bastante tenso. "Será que eu vou me acostumar?" era a pergunta que frequentemente rondava a minha cabeça.
Mas tive a grande sorte de dividir o apartamento com duas pessoas que têm um acessório cada vez mais difícil de vir de fábrica... NOÇÃO! É essa tal de noção (que, graças aos céus, eu também tenho) que faz com que ninguém faça barulho à noite, ninguém mexa no que não é seu, ninguém deixe sujo ou desarrumado os ambientes compartilhados, enfim, é esse opcional cada vez mais em falta no mercado (a noção) que faz com que uma convivência possa ser saudável e pacífica.
Está sendo uma experiência ótima essa de dividir um apartamento pela primeira vez na vida. Principalmente por me proporcionar esse aprendizado de compartilhar as coisas, distinguindo onde terminam os direitos e começam os deveres. Escutar música alta? Não mais... Acumular louça na pia? Não rola... Enfim, essas aprendizagen são essenciais também.
Isso sem falar que os meus companheiros de piso saem muuuito cedo de casa e voltam tarde da noite, portanto, caso eu resolva passar o dia em casa estudando, é como se eu ainda morasse sozinho. E no final de semana, que é quando nos encontramos de fato, tenho companhias, seja para almoçar, para ver alguma coisa na televisão ou para sair.
Enfim, a aventura de compartilhar uma casa tem dado super certo. Mas acho que isso envolve um pouco de sorte, porque escuto cada história dos meus colegas brasileiros que já dividiram apartamento... Gente que não queria que o outro desse descarga de madrugada, gente que todo dia levava uma pessoa diferente para o quarto, gente que deixava o banheiro imundo ou que simplesmente não levava o lixo para baixo... Acho que a sorte tem me acompanhado por aqui! Hehehehe.
Mas tive a grande sorte de dividir o apartamento com duas pessoas que têm um acessório cada vez mais difícil de vir de fábrica... NOÇÃO! É essa tal de noção (que, graças aos céus, eu também tenho) que faz com que ninguém faça barulho à noite, ninguém mexa no que não é seu, ninguém deixe sujo ou desarrumado os ambientes compartilhados, enfim, é esse opcional cada vez mais em falta no mercado (a noção) que faz com que uma convivência possa ser saudável e pacífica.
Está sendo uma experiência ótima essa de dividir um apartamento pela primeira vez na vida. Principalmente por me proporcionar esse aprendizado de compartilhar as coisas, distinguindo onde terminam os direitos e começam os deveres. Escutar música alta? Não mais... Acumular louça na pia? Não rola... Enfim, essas aprendizagen são essenciais também.
Isso sem falar que os meus companheiros de piso saem muuuito cedo de casa e voltam tarde da noite, portanto, caso eu resolva passar o dia em casa estudando, é como se eu ainda morasse sozinho. E no final de semana, que é quando nos encontramos de fato, tenho companhias, seja para almoçar, para ver alguma coisa na televisão ou para sair.
Enfim, a aventura de compartilhar uma casa tem dado super certo. Mas acho que isso envolve um pouco de sorte, porque escuto cada história dos meus colegas brasileiros que já dividiram apartamento... Gente que não queria que o outro desse descarga de madrugada, gente que todo dia levava uma pessoa diferente para o quarto, gente que deixava o banheiro imundo ou que simplesmente não levava o lixo para baixo... Acho que a sorte tem me acompanhado por aqui! Hehehehe.
domingo, 11 de abril de 2010
1 mês em Barcelona...
Hoje faz exatamente um mês que cheguei aqui... Aquela frase "parece que foi ontem..." definitivamente não expressa a situação, porque realmente não parece que foi ontem que eu cheguei. Eu já fiz tanta coisa aqui, tanta coisa já aconteceu, tantos lugares já foram visitados, tantas descobertas já foram feitas que parece que faz mais de 1 mês. E a saudade das pessoas queridas que ficaram no Brasil também não é uma saudade de 1 mês, é saudade de 1 ano... Se pudesse carregava todos para cá! Todo mundo fazendo doutorado-sanduíche, mestrado-sanduíche ou simplesmente sanduíche (e vendendo lá na Praça Catalunya a 1 euro, cada!)!!! Hehehehehe.
Barcelona me recebeu de braços abertos, e graças a ELE, aquele que realmente tudo pode, e, claro, ao Menino Jesus de Praga, tudo tem dado certo para mim aqui, TUDO! E eu estou muito feliz!
Obrigado a todos que comentam o meu blog, aos que dão aquela passadinha por aqui, mas acabam não comentando, aos que mandam recado no Orkut dizendo que gostam de ler o que escrevo aqui. E obrigado, principalmente, aqueles que torcem por mim e ficam felizes com cada uma das minhas aventuras por aqui!!!
Beijos e abraços,
Daniel na Espanha!
Barcelona me recebeu de braços abertos, e graças a ELE, aquele que realmente tudo pode, e, claro, ao Menino Jesus de Praga, tudo tem dado certo para mim aqui, TUDO! E eu estou muito feliz!
Obrigado a todos que comentam o meu blog, aos que dão aquela passadinha por aqui, mas acabam não comentando, aos que mandam recado no Orkut dizendo que gostam de ler o que escrevo aqui. E obrigado, principalmente, aqueles que torcem por mim e ficam felizes com cada uma das minhas aventuras por aqui!!!
Beijos e abraços,
Daniel na Espanha!
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Migração e Multiculturalismo
Acho que pela primeira vez na vida estou conseguindo ter uma noção das dimensões do fenômeno da migração da sociedade contemporânea... Quando que eu poderia me imaginar jantando com uma chilena, uma mexicana, uma espanhola, uma argentina e um colombiano, fora uma brasileira? Sem contar que eu moro com um colombiano e com uma equatoriana. Aqui tem gente de toda parte do mundo, e não é uma coisa restrita ao circuito turístico, falo de pessoas do mundo todo que MORAM aqui.
Pouco antes da Páscoa fui em um lugar que penso que seja algo como a "Polícia Federal" daqui, para solicitar meu NIE (que é a autorização para o extrangeiro morar em Barcelona). O susto começou quando vi a fila na rua... Enorme! Eles chamam de 50 em 50 para entrar no prédio, pegar a senha e esperar para ser atendido. Quando eu estava na fila já haviam chamado uma "leva" de 50, eu estava no segundo grupo. E quando sai havia uma outra "leva" para entrar. Ou seja, só nesse dia foram, no mínimo, cerca de 150 pessoas de outros países pedindo essa autorização. Na verdade o número pode ser bem maior, pois não faço idéia de quantos grupos eles chamam por dia.
Lá dentro do prédio, com a senha na mão, comecei a observar as pessoas em volta... negros, brancos, amarelos, louros, morenos, com olhos puxados, sem olhos puxados, novos, velhos, crianças, gente com todo tipo de feição. Como eu sou curioso comecei a tentar ver os nomes escritos nos passaportes... República Dominicana, Perú, Colombia e alguns com uma escrita que eu não entendia (japonês, árabe, etc.).
Fico me perguntando o que essa gente toda quer aqui... Será que é só melhorar de vida? Será que é um desejo de liberdade, de viver em outro país? Será que é para estudar, como eu? Enfim, nesse contato apenas do olhar não deu para responder às minhas inquietudes.
Mas com os migrantes (colegas brasileiros, colegas da UAB, colegas dos colegas) os quais eu tenho ultrapassado o contato apenas do olhar e tenho conversado me chama atenção a variedade de situação que essas pessoas vivem cotidianamente em seus processos migratórios. Tem gente rica sustentada por pai e mãe, tem gente que juntou o dinheiro para pagar o curso, mas para se manter aqui tem que cortar um dobrado, tem gente que tem bolsa (a minoria), tem gente que fica indo e voltando, enfim, tem gente de tudo quanto é jeito por aqui... E eu tenho gostado de conhecer toda essa gente. Filosofando um pouco (tá, eu tinha prometido que não ia filosofar, mas é só dessa vez), é conhecendo os outros que conhecemos a nós próprios, né? É assim que se configuram as identidades... E as identidades aqui em Barcelona são verdadeiramente múltiplas!
Pouco antes da Páscoa fui em um lugar que penso que seja algo como a "Polícia Federal" daqui, para solicitar meu NIE (que é a autorização para o extrangeiro morar em Barcelona). O susto começou quando vi a fila na rua... Enorme! Eles chamam de 50 em 50 para entrar no prédio, pegar a senha e esperar para ser atendido. Quando eu estava na fila já haviam chamado uma "leva" de 50, eu estava no segundo grupo. E quando sai havia uma outra "leva" para entrar. Ou seja, só nesse dia foram, no mínimo, cerca de 150 pessoas de outros países pedindo essa autorização. Na verdade o número pode ser bem maior, pois não faço idéia de quantos grupos eles chamam por dia.
Lá dentro do prédio, com a senha na mão, comecei a observar as pessoas em volta... negros, brancos, amarelos, louros, morenos, com olhos puxados, sem olhos puxados, novos, velhos, crianças, gente com todo tipo de feição. Como eu sou curioso comecei a tentar ver os nomes escritos nos passaportes... República Dominicana, Perú, Colombia e alguns com uma escrita que eu não entendia (japonês, árabe, etc.).
Fico me perguntando o que essa gente toda quer aqui... Será que é só melhorar de vida? Será que é um desejo de liberdade, de viver em outro país? Será que é para estudar, como eu? Enfim, nesse contato apenas do olhar não deu para responder às minhas inquietudes.
Mas com os migrantes (colegas brasileiros, colegas da UAB, colegas dos colegas) os quais eu tenho ultrapassado o contato apenas do olhar e tenho conversado me chama atenção a variedade de situação que essas pessoas vivem cotidianamente em seus processos migratórios. Tem gente rica sustentada por pai e mãe, tem gente que juntou o dinheiro para pagar o curso, mas para se manter aqui tem que cortar um dobrado, tem gente que tem bolsa (a minoria), tem gente que fica indo e voltando, enfim, tem gente de tudo quanto é jeito por aqui... E eu tenho gostado de conhecer toda essa gente. Filosofando um pouco (tá, eu tinha prometido que não ia filosofar, mas é só dessa vez), é conhecendo os outros que conhecemos a nós próprios, né? É assim que se configuram as identidades... E as identidades aqui em Barcelona são verdadeiramente múltiplas!
Caaaaaaarneeeeee
Ontem comi carne! Não uma carne qualquer, mas um pratão de carne! Não um pratão qualquer, mas pratão de Bife de Tira! Que saudade que eu tava de um churrasco!
Ontem nos reunimos (a equipe do projeto de pesquisa da UAB) para jantar. Combinamos em uma região de Barcelona (a Grácia) onde tem vários barzinhos e restaurantes. Acabamos escolhendo esse de "carne a la brasa" (como os espanhóis chamam algo no estilo do churrasco). Olha, apesar da Amparo (a minha orientadora daqui e coordenadora do projeto) ficar repetindo que eu não comeria uma carne da mesma qualidade que eles fazem no Brasil eu posso dizer que fiquei muuuuuuito satisfeito! A carne tava uma delícia!!! Macia, suculenta, mal-passada... Huuummm! Vinha com umas batatas (oh novidade, tudo aqui vem com batata :P) recheadas igualmente deliciosas! Foi uma noite muuuito legal! E eu já tenho uma lugar ótimo para levar brasileiros que estiverem de passagem por Barcelona!
Ontem nos reunimos (a equipe do projeto de pesquisa da UAB) para jantar. Combinamos em uma região de Barcelona (a Grácia) onde tem vários barzinhos e restaurantes. Acabamos escolhendo esse de "carne a la brasa" (como os espanhóis chamam algo no estilo do churrasco). Olha, apesar da Amparo (a minha orientadora daqui e coordenadora do projeto) ficar repetindo que eu não comeria uma carne da mesma qualidade que eles fazem no Brasil eu posso dizer que fiquei muuuuuuito satisfeito! A carne tava uma delícia!!! Macia, suculenta, mal-passada... Huuummm! Vinha com umas batatas (oh novidade, tudo aqui vem com batata :P) recheadas igualmente deliciosas! Foi uma noite muuuito legal! E eu já tenho uma lugar ótimo para levar brasileiros que estiverem de passagem por Barcelona!
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