sexta-feira, 23 de abril de 2010

San Jordi

Aqui na Catalunha as datas comemorativas são bem diferentes quando comparamos com o Brasil. O dia dos pais é em 19 de março, o das mães é no primeiro domingo de maio, o Natal só é comemorado no dia 25 de dezembro e hoje... bem, hoje é o dia dos namorados.

Devia ser proibido haver dia dos namorados quando namorados, noivos, casados estão separados por um oceano... Mas enfim, fazer o que?! O que eu sei é que hoje é o dia de San Jordi, e a tradição diz que o rapaz dá uma rosa à namorada e ela retribui com um livro. Confesso que achei meio injusta a troca para o lado das mulheres... hehehehe.

Mas até de manhã cedo eu não fazia idéia de que dia era hoje. Foi a Luciana quem me disse. A bichinha, crente que ia ganhar um parabéns pelo dia dos namorados na Espanha e foi ela mesma quem teve que me dizer o que significa o dia de hoje por aqui. :P

Mas logo depois a Othita chegou em casa e foi a primeira coisa que ela me disse. Mais tarde recebi um mail da Denise me dizendo sobre a data de hoje. Como a Othita me disse que la nas Ramblas ficava cheio de bancas vendendo livros a ótimos preços eu fui lá dar uma conferida.

Quando cheguei lá tava muito, muito, muito cheio. A Rambla parecia uma mar de gente, mal dava para andar... Os livros a gente via a quilômetros de distância. Confesso que fiquei meio agoniado com aquela muvuca toda. Mas o bom é que, apesar de ser um dia para os namorados, a festa é aproveitada por todos, solteiros, crianças, bebês, doutorandos-cujas-noivas-estão-do-outro-lado-do-Atlântico... Tudo o que eu não precisava era ficar vendo só casais alegres e apaixonados... :P

Algumas coisas que me chamaram muito a atenção...

1) As bancas segmentadas. Tinha banca só com livros infantis, outra banca "revolucionária", só com livros sobre marxismo, comunismo, socialismo, etc. Tinha uma banca só com livros sobre sexo!!! Obras como "Sexo Lésbico", "Nossos pais não sabem", dentre outro títulos peculiares que fariam os moralistas arrepiarem os cabelos! Huahauhuahua.

2) Uma passeata com separatistas fervoros, que ainda insistem na lenga-lenga que a Catalunha deve se separar do resto da Espanha. (É, deu para perceber que eu não tenho muita paciência com separatismo... Devem ter sido os 4 anos no Rio Grande do Sul que me deixaram meio intransigente com essa temática).

3) Umas rosas azuis super bonitas que eu vi! Nunca tinha visto uma rosa azul de verdade!!! Não eram o Rafael e a Serena, em "Alma Gêmea" (sim, eu assisto novela, com muito orgulho!) que queriam produzir a rosa azul?! Pois alguem avise a eles que ela já existe aqui em Barcelona!

Foi uma experiência interessante... No metrô e nas ruas havia muita gente com rosas. Eu só não vi foi muito cara com livro na mão. A mulherada aqui parece que tá com a mão fechada para presentear o namorado... Hehehehe.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Senso de oportunidade

Admiro muito as pessoas/empresas que têm senso de oportunidade e inteligência para aproveitar situações repentinas a seu favor. Estava eu dentro do metrô em Madrid, indo para o aeroporto, quando vejo um cara com um cartaz dizendo assim: "Paris de trem por 150 euros. Agência de turismo tal, fone tal". Em pleno cenário de total instabilidade nos aeroportos por conta do tal vulcão, quem realmente tivesse urgência de ir à Paris certamente anotaria o telefone da agência para ligar caso chegasse ao aeroporto e seu vôo para a França estivesse cancelado. Um cartaz simples, de cartolina mesmo, mas que faria toda a diferença para quem precisasse do serviço (principalmente aqueles que não moram em Madrid e que, portanto, não saberiam onde achar com facilidade uma agência de viagens) e para quem quisesse vender as passagens.

Em compensação, quando cheguei em Toledo estava chuviscando. Era um chuvisco fininho, mas daqueles que enchem o saco se você está sem guarda-chuva. Mas eu pensei "Ahhh, cidade turística no final de semana... com certeza vai ter gente na porta da rodoviária vendendo guarda-chuva". Tivemos (eu e todos os outros turistas do ônibus) que andar creio que uma meia hora até encontrar um lugar que vendesse "paraguas" (guarda-chuva em espanhol). Essa falta de visão de mercado me irrita às vezes. Aqui o povo morre de falar mal dos chineses, mas são eles que estão lá sempre encontrando uma brecha para ganhar uma graninha. Mas nesse dia em Toledo nem os chineses quiseram amparar os pobres turistas... hauhuahuah. Sorte que a chuva foi embora logo!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Albergue espanhol

Calma, calma, não é sobre o filme que eu vou falar... hehehe.

Eu já tinha ficado em hostel, mas é como se nunca tivesse estado em um, pois o que fiquei na Argentina era super pequeno e familiar, e o meu grupo de pesquisa, com quem eu tinha ido para apresentar trabalho em um seminário, praticamente havia fechado o lugar.

Como o Pádua está de mudança e já tinha entregue o apartamento dele eu resolvi ficar num hostel. Confesso que estava um pouco temeroso com essa novidade de ficar em um albergue "de verdade", mas minha impressão, no final da viagem, não poderia ter sido melhor.

O hostel era sensacional!!! A começar pela localização. Andando levava uns 5 minutos até a Plaza Mayor. Fora o metrô, que ficava ao lado. Staff super atencioso e agradável, ambientes super limpos, hóspedes educados...

Acho que esse pessoal que tem costume de rodar o mundo inteiro e ficar em albergue parece que vai construindo uma espécie de um "código de conduta", uma etiqueta para hospedar-se em hostels. Tarde da noite ninguém acende mais a luz. Os mais expertos andam com umas lanterninhas (vou já comprar a minha). Eu usava a luz do celular. Ninguém conversa também... Se há varios espaços de convivência no albergue, para que se vai conversar no quarto e acordar as pessoas? Qualquer coisa que se use da cozinha depois se lava, não tem nenhum "gaiato" que deixa as coisas para os outros lavarem. Tomou banho? Tem um esfregão no banheiro para deixar o chão seco. Enfim, tudo funciona perfeitamente e eu posso dizer que dormi lá tão bem quanto durmo aqui em casa. E isso é fundamental para você acordar disposto no dia seguinte e poder aproveitar a cidade.

E uma dica para quem quiser ficar em hostels: reservar a partir desses grandes sites que agregam vários hostels e ler as resenhas sobre o hostel que você tá interessado. Lendo as resenhas conseguimos descobrir muitos "podres" que os albergues obviamente não publicam em seus sites.

Uma experiência low cost

Viajando para Madrid inaugurei meus usos de vôos low cost na Europa. Foi uma experiência ótima! A gente paga tão pouco pela passagem que fica achando que vai viajar de "Fusca que voa" (segundo costuma falar meu amigo Luciano, quando se refere à brasileira Webjet, que tantas vezes o levou de P. Alegre à Aracajú). Pois bem, o saldo da viagem foi mais do que positivo: pontualidade britânica na ida e na volta, atendimento super atencioso no check-in, avião novo, revista de bordo, tudo nos conformes! Agora uma coisa é verdade, a água realmente custa 2 euros e para embarcar mala paga-se 20 euros. Mas isso da mala não será um problema para mim.

Mas não ache que vai poder colocar a casa inteira na bagagem de mão porque não vai dar certo... Eles são SUPER rigorosos com o peso e o volume do que vai dentro do avião. Se sua sacola/mala não couber no medidor de volume que eles têm no check-in, F****, você vai ter que embarcar a bagagem.

Enfim, as low cost que me aguardem! Não tenho problema algum em passar sede por umas horinhas... hehehehe.

Toledo

Toledo é uma cidade linda, linda, linda (poderia escrever mais dez vezes "linda" e ainda assim não seria o suficiente). Sabe uma cidade cenográfica?! Daquelas que parecem que foram construídas para um filme ou uma novela? Pois Toledo é assim... Passei um dia lá, um dia absolutamente intenso, que me fazia perguntar se eu ainda teria pernas e pés depois de tantas ladeiras e escadas, subidas e descidas. Toledo foi durante muito tempo a capital, e a "sede" do catolicismo não estava em Madrid, mas sim lá. Por isso a quantidade de igrejas belíssimas e gigantes, verdadeiros templos. Mas Toledo também era conhecida por sua tolerância religiosa, e há na cidade inúmeras sinagogas e mesquitas, cada uma mais bonita e cheia de História do que a outra.

As ruelas, a arquitetura medieval, a murada, as ruínas... é tudo muito lindo, pois forma um cenário muito distinto do que estamos habituados a ver no Brasil. Só de pensar que você está em uma igreja que foi construída no século X ou em uma mesquita do século XV, por exemplo, já te dá uma sensação muito doida...

Quem tiver em Madrid não deixe de ir dar uma conferida em Toledo... são só 50 min. de viagem e as paisagens são muito marcantes.

Madrid

Madrid é uma grande cidade! Não somente porque ela é espacialmente grande, mas porque sua agitação é grande, seu ar cosmopolita é grande e a quantidade de coisas que têm para se fazer lá é enorme! Valeu muito a pena minha visita à cidade e cada minuto nela foi muito bem aproveitado.

Plaza Mayor, Puerta del Sol, Parque del Retiro, Grand Vía... Era meio surreal estar alí, naqueles lugares que eu já tinha visto tantas vezes em revistas, jornais, filmes, etc.

O Palácio Real é uma coisa inacreditável... É de um luxo, de uma riqueza, de uma suntuosidade que simplesmente não dá para descrever, pois qualquer tentativa será redutora. Os tapetes, os lustres, os papéis de parede, os móveis... Nunca vi tanto luxo na minha vida!

Ver a Guernica, de Picasso, no Reina Sofia e As Meninas, de Velazquez, no Prado foi outra experiência inesquecível. Os dois museus são excepcionais, e você não passa menos de 3 horas em cada um deles. Se for olhar tudo detalhadamente pode programar umas seis horas para cada. Dalí, Goya, Rubens, Miró... São muitos os artistas a ver nos dois espaços. Você sai dos museus até meio tonto de tanto conhecimento, de tanto brilhantismo que se vê lá dentro.

Um agradecimento especial ao Pádua, que passou todos os dias passeando comigo, me mostrando tudo. Tivemos ótimos momentos de cerveja, tapas (tira-gosto) e conversas nos bares de Madrid. Isso sem falar que ele é um verdadeiro guia da cidade! Outro agradecimento vai para a Celene, colega e namorada do Fred, que eu já havia conhecido em P. Alegre. Celene e eu passeamos um bocado e tivemos um almoço muito divertido, cheio de bons papos. Sem vocês minha viagem não teria sido a mesma...

Voltei com os pés cortados de tanto andar... mas faria tudo de novo! Foi uma viagem incrível!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O conto da cigana...

Essa era para eu ter contado desde que cheguei de Zaragoza, mas acabou passando...

Estava eu saindo da belíssima Catedral de Nossa Senhora do Pilar. Othita, Javier, Sheyla e Dete estavam ainda na lojinha de souvenirs, mas eu não tinha visto nada que me agradasse, daí resolvi sair logo para aproveitar o clima e a paisagem da linda Zaragoza.
Pois estou eu lá na Praça quando me aparece uma cigana me dando um raminho (era sábado de Páscoa), dizendo que era um "regalo" (presente em espanhol). Eu, tonto e bocó, aceitei, pensando "nossa, que gentil". Aí a criatura vem e me cobra umas moedas (me deu uma raiva, me senti em Salvador, cidade na qual eu mais me senti explorado na vida!). E eu, mais tonto ainda, dou uma moeda para a diaba da cigana. Não me perguntem porque eu fiz isso... sei lá, acho que quando a gente tá em outro país fica meio inibido para algumas coisas. O que eu sei é que a cigana se empolgou com a tal moeda que eu dei e ficou me puxando, querendo porque querendo ler a minha mão e eu dizendo que não, que não queria, e puxando a mão de volta. Daí eu sai e a cigana gritou "tens uma morena na tua vida!"... Pelo menos ela acertou, né?!

Daí eu contei aos meus companheiros de viagem o sucedido e eles disseram que não é mesmo para deixar as ciganas lerem as nossas mãos, porque enquanto uma está segurando as suas mãos vem outra por trás e puxa a carteira...

É... aqui na Espanha também tem dessas coisas!